Série "Raul Seixas: Eu Sou" estreia no Globoplay e celebra 80 anos

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outubro
  • Categorias: Cultura
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A estreia da minissérie Raul Seixas: Eu Sou chegou ao Globoplay nesta quinta‑feira, 26 de junho de 2025, como um verdadeiro presente para quem sempre acompanhou a trajetória do ícone do rock nacional.

A produção coincide com o que seria o 80º aniversário de Raul Seixas, nascido em 28 de junho de 1945 em Salvador, Bahia. Em oito episódios, o drama acompanha o "Maluco Beleza" da infância na Bahia até o estrelato nos palcos do Rio de Janeiro, passando por parcerias musicais, amores tumultuados e a constante busca por liberdade artística.

Contexto histórico e importância de Raul Seixas

Raul Seixas não foi apenas um cantor; foi um agitador cultural que, na década de 1970, misturou rock, poesia e contracultura numa Brazil que vivia o regime militar. Seu álbum "Krig-ha, Bandolo!" (1973) marcou a geração, enquanto a parceria com o escritor Paulo Coelho gerou hits como "Gita" e "Sociedade Alternativa".

Para entender o peso da série, basta lembrar que, há quase 30 anos, outras produções biográficas – como "Rita Lee: Mania de Você" – tentaram captar a essência de artistas que derrubaram tabus. Agora, com o apoio de O2 Filmes e a expertise de criadores premiados, a narrativa promete ser mais íntima e detalhada.

Detalhes da produção e elenco

O projeto nasce da visão de Paulo Morelli, que assumiu roteiro, direção e produção executiva junto ao irmão Pedro Morelli. O roteiro conta com Denis Nielsen, Lívia Gaudêncio e Marcelo Montenegro, além de colaborações de Andrea Yagui, Leo Ortiz e Marina Santos.

O ator Ravel Andrade encarna Raul em todas as fases da vida. Em entrevista à imprensa, Andrade revelou: “Tive acesso a um santuário de material – entrevistas com as cinco companheiras, discos, livros – e cada dia acendíamos uma vela em memória dele.” Ele ainda contou que conversou com Vivi Seixas, filha do músico, para captar nuances domésticas.

O elenco conta ainda com João Pedro Zappa como Paulo Coelho, Chandelly Braz como Kika Seixas, Julia Stockler (Tânia Menna Barreto), Caroline Abras (Glória Vaquer), e um time de talentosos atores que dão vida a personagens como Sérgio Sampaio, Sylvio Passos e Roberto Menescal.

O visual da série recebeu atenção especial. A figurinista Andrea Simonetti recriou trajes dos anos 70/80 com fidelidade, enquanto a maquiadora Rosemary Paiva montou um “santuário” de objetos pessoais: discos, manuscritos e até a icônica jaqueta de couro de Raul.

Evento de estreia no Circo Voador

Evento de estreia no Circo Voador

A primeira sessão aconteceu no lendário Circo Voador, no bairro de Rio de Janeiro. O diretor Paulo Morelli agradeceu ao público: “Trabalho foi feito com muita paixão, por gente apaixonada pela obra do Raul.” A plateia, composta de fãs de todas as idades, recebeu aplausos de pé e, segundo relatos, algumas velas foram acesas em homenagem ao artista.

Durante a coletiva de imprensa, realizada em 23 de junho de 2025, os participantes falaram sobre o “santuário” que criaram ao redor da história de Raul, reforçando o compromisso de não sugar a memória, mas sim celebrá‑la.

Reações do público e da crítica

Nas primeiras 24 horas, a série acumulou mais de 500 mil visualizações, segundo dados internos da Globoplay. Usuários nas redes sociais elogiaram a performance de Ravel Andrade, descrevendo‑a como “impressionante” e “o maior tributo já feito”. Críticos de veículos como O Globo e Folha de S.Paulo destacaram a narrativa “corajosa”, que não foge dos momentos mais sombrios da vida de Raul, incluindo conflitos familiares e experimentações com drogas.

Entretanto, alguns familiares apontaram pequenos deslizes de factualidade – um detalhe que, segundo eles, será ajustado nas próximas atualizações da plataforma. A produção respondeu que o conteúdo está “em constante revisão” para garantir a máxima precisão.

Próximos passos e disponibilidade

Próximos passos e disponibilidade

Depois da estreia, os oito episódios permanecerão disponíveis no catálogo da Globoplay para streaming ilimitado. A empresa já anunciou planos de lançar conteúdos extras – entrevistas com o elenco, bastidores das gravações e um documentário curto sobre a influência de Raul na música brasileira contemporânea.

Para os fãs que ainda não assistiram, a série chega em um momento em que o streaming de biografias está em alta, ao lado de produções como "Somos Tão Jovens" (sobre Raul Seixas) e "Rita Lee: Mania de Você". Se a intenção era celebrar os 80 anos de Raul, o resultado parece ter superado as expectativas.

  • Data de estreia: 26/06/2025
  • Plataforma: Globoplay
  • Elenco principal: Ravel Andrade, João Pedro Zappa, Chandelly Braz
  • Duração: 8 episódios (aprox. 45 min cada)
  • Diretores: Paulo Morelli e Pedro Morelli

Perguntas Frequentes

Como a série retrata a parceria entre Raul Seixas e Paulo Coelho?

A relação é mostrada como uma amizade criativa que deu origem a canções icônicas. João Pedro Zappa, que interpreta Coelho, destaca nos diálogos o clima de experimentação e rebeldia que marcou o período entre 1972 e 1975.

Quais foram as principais fontes de pesquisa usadas pelos criadores?

Paulo Morelli reuniu entrevistas com as cinco ex‑companheiras de Raul, gravações de áudio, cartas pessoais e a colaboração direta da filha Vivi Seixas, que compartilhou memórias íntimas da vida doméstica do músico.

A série está disponível fora do Brasil?

Até o momento, o catálogo do Globoplay está restrito ao território brasileiro, mas há planos de licenciar a produção para plataformas internacionais em 2026.

Qual foi a reação da crítica especializada?

Críticos elogiaram a fidelidade histórica, o figurino dos anos 70/80 e a atuação de Ravel Andrade, mas apontaram pequenas imprecisões biográficas que a produção prometeu corrigir em futuras atualizações.

Quando o próximo episódio será lançado?

A série foi lançada com todos os oito episódios simultaneamente, seguindo o formato binge‑watch típico da Globoplay. Não há lançamentos futuros de novos capítulos, mas conteúdos complementares chegarão ao longo de 2025.

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10 Comentários

Francis David
Francis David
11 out 2025

A série parece capturar bem a alma rebelde de Raul.

Maria das Graças Athayde
Maria das Graças Athayde
11 out 2025

Ver o Raul atravessar a infância na Bahia até o estrelato no Rio traz uma nostalgia que poucos artistas conseguem provocar. 🌟 Cada cena parece ter sido feita com o cuidado de quem realmente entende a história dele. A escolha de Ravel Andrade como protagonista também acertou em cheio. 👏

Carlos Homero Cabral
Carlos Homero Cabral
12 out 2025

Gente, que projeto incrível!! O ritmo da série faz a gente sentir a energia do Maluco Beleza em cada episódio!! A produção caprichou no figurino e nas trilhas, trazendo aquele clima dos anos 70 que a gente tanto ama!! Não tem como não se envolver com a história de Raul, tem muita mensagem de liberdade!! Continuem assistindo, vale a pena!!

Andressa Cristina
Andressa Cristina
12 out 2025

Mas olha, tem uns detalhes que me deixaram com cara de 🤔! Tipo aquela cena onde o Raul supostamente anda de moto na praia... parece mais ficção do que realidade, né? Ainda assim, a vibe psicodélica tá on point, então bora curtir! 😂

Williane Mendes
Williane Mendes
14 out 2025

A minissérie “Raul Seixas: Eu Sou” representa um marco paradigmático na narrativa audiovisual brasileira contemporânea.
Ao abordar a trajetória do icônico músico, os criadores adotam uma abordagem transdisciplinar que conjuga historiografia cultural, análise musicológica e estudo de mídia.
O uso de fontes primárias, como entrevistas com as cinco companheiras de Raul e o acesso ao arquivo familiar, confere à obra um grau de verossimilhança documental raro em produções de entretenimento.
Além disso, a recriação meticulosa dos trajes dos anos 70/80, supervisionada pela figurinista Andrea Simonetti, evidencia um comprometimento estético que ultrapassa o mero design de produção.
A performance de Ravel Andrade, ao encarnar o artista em diferentes fases da vida, demonstra não apenas uma capacidade interpretativa, mas também uma compreensão profunda da ontologia do sujeito rockeiro.
É digno de nota que a série não se limita a uma hagiografia simplista; ao contrário, ela investiga as contradições internas do personagem, incluindo suas experimentações com substâncias psicotrópicas.
Tal abordagem traz à tona discussões sobre a dialética entre criatividade e autodestruição, tema recorrente na literatura de estudos culturais.
Os diálogos entre Raul e Paulo Coelho, interpretados por João Pedro Zappa, são estruturados como microtextos que refletem a simbiose entre música e literatura, reforçando a noção de intertextualidade.
Do ponto de vista da recepção, os dados iniciais – mais de meio milhão de visualizações nas primeiras 24 horas – apontam para um engajamento massivo que ultrapassa o público nicho.
Entretanto, a crítica especializada sinaliza pequenas discrepâncias factuais, as quais a produção já se comprometeu a corrigir em futuras atualizações, demonstração de responsabilidade editorial.
Esse processo de revisão contínua pode ser visto como uma prática de curadoria digital que privilegia a fidelity histórica sobre a velocidade de lançamento.
Em termos de impacto sociocultural, a série reforça a figura de Raul como agente de resistência simbólica contra o autoritarismo da ditadura militar.
Ao recontextualizar suas letras como manifestações de contestação política, a obra contribui para a revalorização do legado do artista no imaginário coletivo.
Ademais, a proposta de conteúdos extra – entrevistas, bastidores e documentário adicional – amplia o ecossistema narrativo, permitindo um engajamento prolongado do espectador.
Em suma, “Raul Seixas: Eu Sou” não é apenas uma biografia visual, mas um complexo dispositivo de memória que dialoga com múltiplas camadas de significado.

Luís Felipe
Luís Felipe
14 out 2025

A obra, embora bem produzida, peca ao diluir a autenticidade cultural ao buscar apelo internacional. O excesso de glossário e a tentativa de “universalizar” a mensagem de Raul acabam comprometendo a pureza da identidade brasileira. É imprescindível que produções nacionais preservem seu caráter intrínseco sem ceder a pressões externas.

Fernanda De La Cruz Trigo
Fernanda De La Cruz Trigo
15 out 2025

Galera, parabéns ao time da Globoplay pelo esforço! A série traz uma energia contagiante que faz a gente refletir sobre liberdade artística, mas sem perder a leveza. Se ainda não assistiu, dá um play e sente a vibração do Maluco Beleza. 🙌

Thalita Gonçalves
Thalita Gonçalves
15 out 2025

Permita-me observar que a celebração ostensiva de um ícone da contracultura, ainda que bem executada, gera um paradoxo desconcertante ao ser promovida por grandes conglomerados midiáticos.
Tal prática cria uma narrativa de cooptamento ideológico que contradiz os princípios de rebeldia defendidos por Raul.
Ademais, a narrativa apresentada, ao focar em aspectos glamorosos, ofusca as críticas radicais que o artista direcionou ao establishment.
É imprescindível que o espectador mantenha uma postura crítica frente ao discurso hegemônico veiculado.
A produção não deve ser tratada como documento histórico incontestável.
Cada cena, por mais bem produzida que seja, deve ser analisada sob a lente da descolonização cultural.
Caso contrário, corremos o risco de perpetuar um mito sanitizado e desprovido de sua essência contestadora.
A presença de figuras públicas que patrocinam a série, como o próprio governo, levanta questões de legitimidade.
Uma obra que pretende honrar a liberdade deve, paradoxalmente, ser livre de interesses corporativos.
Portanto, recomendo que o público contextualize a série dentro de um panorama mais amplo de produção cultural.
Somente assim será possível apreciar, com discernimento, a contribuição de Raul à cultura brasileira.
Em suma, a série pode servir como ponto de partida, mas não como conclusão definitiva.

Jocélio Nascimento
Jocélio Nascimento
16 out 2025

Concordo que a série cumpre seu papel de difundir a obra de Raul para novas gerações. A qualidade técnica demonstra o compromisso da Globoplay com a valorização da música nacional. É importante que esse tipo de produção continue a prosperar.

Maria Daiane
Maria Daiane
17 out 2025

Ao refletir sobre o impacto cultural da série, percebemos que ela funciona como um locus de memória coletiva, conectando passado e presente. A narrativa fílmica cria um arcabouço simbólico que permite ao espectador reinterpretar a figura de Raul à luz de questões contemporâneas, como a busca por autenticidade e resistência.

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